Nunca mais te vi,
nem mesmo quando,
solitários,
meus olhos sacudiram a tarde.
Horas cinzas de maio,
de aparência esquiva,
nômade qualquer,
minha pátria nasce em ti
e sobre ti se deita meu destino.
Depois da chuva,
unicamente,
quando os fios esparsos
de cada ausência
romperem o tempo
e a prece mais atenta
gritar teu nome.
Muros de ontem,
não importa o aço,
ferro ou argila,
se de porto ou de exílio.
Quantas vezes
não me debrucei
em teu crepúsculo
para pintar teu sorriso
quando choravas.
(do poeta Otávio Roggiero )
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
PREITO
Graças te rendo, Senhor,
que me viste ver
um fio de luz nas trevas,
que me viste sorrir na dor.
Graças te rendo, Senhor,
que me viste garimpar
no Amazonas da vida,
que me viste colher
das águas turbo(lentas)
fagulhas de ouro entre os cascalhos.
Graças te rendo, Senhor,
que de luz me salpicaste a bateia,
que me viste colher da areia
uns poucos nadas de amor.
que me viste ver
um fio de luz nas trevas,
que me viste sorrir na dor.
Graças te rendo, Senhor,
que me viste garimpar
no Amazonas da vida,
que me viste colher
das águas turbo(lentas)
fagulhas de ouro entre os cascalhos.
Graças te rendo, Senhor,
que de luz me salpicaste a bateia,
que me viste colher da areia
uns poucos nadas de amor.
domingo, 29 de agosto de 2010
POEMA NOSSO
Guardarei para você as últimas palavras
e lhe apontarei as falsas testemunhas.
Talvez eu não perceba um gesto,
mas a expressão estará em sua face
e eu serei o réu em todos os momentos.
Guardarei para você os primeiros,
os segundos e os últimos raios de luz
e todo e qualquer som que esta manhã emitir.
Talvez me ausente no momento exato
e perca a memória e, sobretudo, os sentidos
e me descubra só, quando tiver despertado.
Guardarei para você meu peito em chamas,
o fogo que cresceu e se propagou na montanha,
o vento que agitou seus cabelos umedecidos,
a chuva que molhou seus pés ensanguentados,
carne e osso, sou feito de ausência.
Guardarei para você as minhas mãos vazias,
um, dois, três gritos e um murmúrio
(que seja tão baixinho que só você possa ouvi-lo),
toda a verdade que eu trago desta vida
e a ilusão que, por certo, não mais a tenho.
Ainda que tudo tenha passado e seja tarde,
quardarei para você, querida, o último sol
e a primeira estrela que minhas mãos tocarem.
do poeta Otávio Roggiero
e lhe apontarei as falsas testemunhas.
Talvez eu não perceba um gesto,
mas a expressão estará em sua face
e eu serei o réu em todos os momentos.
Guardarei para você os primeiros,
os segundos e os últimos raios de luz
e todo e qualquer som que esta manhã emitir.
Talvez me ausente no momento exato
e perca a memória e, sobretudo, os sentidos
e me descubra só, quando tiver despertado.
Guardarei para você meu peito em chamas,
o fogo que cresceu e se propagou na montanha,
o vento que agitou seus cabelos umedecidos,
a chuva que molhou seus pés ensanguentados,
carne e osso, sou feito de ausência.
Guardarei para você as minhas mãos vazias,
um, dois, três gritos e um murmúrio
(que seja tão baixinho que só você possa ouvi-lo),
toda a verdade que eu trago desta vida
e a ilusão que, por certo, não mais a tenho.
Ainda que tudo tenha passado e seja tarde,
quardarei para você, querida, o último sol
e a primeira estrela que minhas mãos tocarem.
do poeta Otávio Roggiero
REAÇÃO
Quantos anos para se formar,
quanta luta.
O fim no meio do caminho,
a ousadia de andar sozinho,
a liberdade de abraçar a briza,
beijar a noite e amar a terra.
A dignidade de enfrentar a dúvida,
a coragem de enfrentar perigos,
o trabalho pra pagar a dívida,
a renúncia ao ócio e ao lazer.
O adiamento dos velhos anseios
na esperança de um porvir feliz.
Há que se minar a seiva,
há que se podar a árvore,
cortar os galhos e aparar de vez
toda a ramificação.
Há que se extinguir a sombra,
extirpar raízes e limpar a terra
para que viceje a boa plantação.
A erradicação da planta daninha,
o cercear de atalhos
dos que não contemplam
as regras do jogo
e o respeito mútuo
da vida em comum.
Tolher os passos, medir o compasso,
escolher os líderes com lucidez.
Olhar o passado, decidir o futuro,
não votar no escuro,
aproveitar a vez.
Podar os galhos,
exaurir a seiva,
alimentar a terra
de adubo sadio.
Tomar o espaço,
sem deixar aberto
o caminho incerto
e o espaço vazio.
Extirpar o mal,
cortar plantas daninhas,
não deixar a sombra
dominar a terra.
Controlar o solo, cultivar o trigo,
separar os seixos
e botar nos eixos
toda uma nação.
Isso é o que se espera
de uma geração de homens:
dominar o espaço
e conduzir o mundo,
sem submissão aos donos do poder,
senhores do espaço
e donos do destino.
quanta luta.
O fim no meio do caminho,
a ousadia de andar sozinho,
a liberdade de abraçar a briza,
beijar a noite e amar a terra.
A dignidade de enfrentar a dúvida,
a coragem de enfrentar perigos,
o trabalho pra pagar a dívida,
a renúncia ao ócio e ao lazer.
O adiamento dos velhos anseios
na esperança de um porvir feliz.
Há que se minar a seiva,
há que se podar a árvore,
cortar os galhos e aparar de vez
toda a ramificação.
Há que se extinguir a sombra,
extirpar raízes e limpar a terra
para que viceje a boa plantação.
A erradicação da planta daninha,
o cercear de atalhos
dos que não contemplam
as regras do jogo
e o respeito mútuo
da vida em comum.
Tolher os passos, medir o compasso,
escolher os líderes com lucidez.
Olhar o passado, decidir o futuro,
não votar no escuro,
aproveitar a vez.
Podar os galhos,
exaurir a seiva,
alimentar a terra
de adubo sadio.
Tomar o espaço,
sem deixar aberto
o caminho incerto
e o espaço vazio.
Extirpar o mal,
cortar plantas daninhas,
não deixar a sombra
dominar a terra.
Controlar o solo, cultivar o trigo,
separar os seixos
e botar nos eixos
toda uma nação.
Isso é o que se espera
de uma geração de homens:
dominar o espaço
e conduzir o mundo,
sem submissão aos donos do poder,
senhores do espaço
e donos do destino.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
O Craque
Sonhava ser craque,
amava o futebol.
Mas a caminho do estádio
tropeçou numa pedra.
Ele sonhava ser craque
mas o crack não deixou...
Adolescência é um portal,
portal de todos os caminhos,
de caminhos retos e tortos
caminhos tortos por onde os incautos vão.
E não adiantam conselhos,
nem de pai, nem de mãe,
nem conselho de irmão.
A droga não te mata simplesmente.
Primeiro mata seus pais
de desgosto,
depois mata seus irmãos
de tristeza,
depois afasta teus amigos
pela decepção.
Mas ao traficante não.
amava o futebol.
Mas a caminho do estádio
tropeçou numa pedra.
Ele sonhava ser craque
mas o crack não deixou...
Adolescência é um portal,
portal de todos os caminhos,
de caminhos retos e tortos
caminhos tortos por onde os incautos vão.
E não adiantam conselhos,
nem de pai, nem de mãe,
nem conselho de irmão.
A droga não te mata simplesmente.
Primeiro mata seus pais
de desgosto,
depois mata seus irmãos
de tristeza,
depois afasta teus amigos
pela decepção.
Mas ao traficante não.
sábado, 3 de julho de 2010
A Pedra
Tinha uma pedra no caminho...
No meio do caminho tinha uma pedra
que o moleque fumou.
Cadê a pedra do caminho?
O moleque fumou.
Tinha uma pedra no caminho,
mas o moleque fumou.
Nunca me esquecerei
na minha cansada rotina
que tinha uma pedra no caminho,
mas o moleque fumou.
Cadê a pedra do caminho?
O moleque fumou.
Cadê o moleque?
Se desencaminhou.
Cadê o caminho?
Desapareceu.
Cadê o moleque?
O moleque morreu.
No meio do caminho tinha uma pedra
que o moleque fumou.
Cadê a pedra do caminho?
O moleque fumou.
Tinha uma pedra no caminho,
mas o moleque fumou.
Nunca me esquecerei
na minha cansada rotina
que tinha uma pedra no caminho,
mas o moleque fumou.
Cadê a pedra do caminho?
O moleque fumou.
Cadê o moleque?
Se desencaminhou.
Cadê o caminho?
Desapareceu.
Cadê o moleque?
O moleque morreu.
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