quarta-feira, 1 de setembro de 2010

POEMA DE MAIO

Nunca mais te vi,
nem mesmo quando,
solitários,
meus olhos sacudiram a tarde.

Horas cinzas de maio,
de aparência esquiva,
nômade qualquer,
minha pátria nasce em ti
e sobre ti se deita meu destino.

Depois da chuva,
unicamente,
quando os fios esparsos
de cada ausência
romperem o tempo
e a prece mais atenta
gritar teu nome.

Muros de ontem,
não importa o aço,
ferro ou argila,
se de porto ou de exílio.

Quantas vezes
não me debrucei
em teu crepúsculo
para pintar teu sorriso
quando choravas.

(do poeta Otávio Roggiero )

PREITO

Graças te rendo, Senhor,
que me viste ver
um fio de luz nas trevas,
que me viste sorrir na dor.

Graças te rendo, Senhor,
que me viste garimpar
no Amazonas da vida,
que me viste colher
das águas turbo(lentas)
fagulhas de ouro entre os cascalhos.

Graças te rendo, Senhor,
que de luz me salpicaste a bateia,
que me viste colher da areia
uns poucos nadas de amor.