Em centenários corredores,
interior de vetusto palácio,
a terceira idade traça
o destino da juventude.
No interior do Kremlin,
em estranha sinfonia
blindada com fogo e aço,
Satanás toca trombeta,
Putin toca balalaica
e Rasputin toca punheta.
Em centenários corredores,
interior de vetusto palácio,
a terceira idade traça
o destino da juventude.
No interior do Kremlin,
em estranha sinfonia
blindada com fogo e aço,
Satanás toca trombeta,
Putin toca balalaica
e Rasputin toca punheta.
Sentado à margem da estrada,
o cachorro, sem entender, observa
o comboio que passa:
_ Por quê o "Z" no blindado?
O "Z" é o fim do alfabeto,
O "Z" é o fim,
O apocalipse é o "Z".
Mas, nos tanques há também o "V"...
É a justa homenagem:
É o V de Volodymyr
E é o Z de Zelensky,
O herói do século.
A covid atrasou tudo:
os boletos se acumularam,
o trem das onze
passou às duas,
o chá das cinco
saiu às sete,
a missa do galo
celebrou-se às quatro
e até as flores das onze-horas
abriram-se ao meio-dia.
Agora que o sol se foi
para iluminar outros longes,
bateu-me a ânsia de saber
quem apagou a luz no fim do túnel.
Quero saber quem é
Que está sentado
no meu lugar ao sol.
Tudo fechado e quieto,
a zona está fechada,
o tráfego parado,
a escola desativada,
o estádio em silêncio,
dos jogos, só o game:
É a pandemia.